sábado, 3 de agosto de 2013

Telexfree: parentes do dono processam a empresa

Nem eles acreditam mais

Vitor Sorano – iG São
Uma tia e um primo do fundador da Telexfree, Carlos Wanzeler, processaram a 
empresa. O motivo é o mesmo de uma enxurrada de outras ações abertas 
nas últimas semanas : querem receber de volta o dinheiro colocado no negócio 
criado pelo empresário, e que acabou suspenso pela Justiça sob suspeita de ser
 a maior pirâmide financeira da História do País .
No total, os dois parentes pedem cerca de R$ 15 mil, quantia que inclui também 
os lucros prometidos pela Telexfree para conquistar adesões. O valor é 
relativamente pequeno em comparação a outros processos, como o de um advogado
de Mato Grosso que pede R$ 101 mil.
“Acredito que são parentes distantes, senão tinham investido um valor muito 
maior e estariam no topo da pirâmide”, afirma o advogado Alexey Campgnaro 
Lucena, que representa os dois e pediu sigilo de seus nomes.
Os dois processos estão na Justiça do Espírito Santo, onde Wanzeler decidiu abrir
em 2010 a sucursal brasileira da Telexfree Inc, fundada por ele nos Estados Unidos 
em 2002. O empresário vive por lá até hoje, o que dificultou a tomada do seu 
depoimento no inquérito criminal que segue paralelo à ação civil movida contra a 
empresa pelo Ministério Público do Acre (MP-AC).
A Telexfree brasileira é acusada pelo MP-AC de ser uma pirâmide financeira 
disfarçada de uma empresa de telefonia VoIP por meio de marketing multinível,
pois dependeria das taxas de adesão pagas pelos revendedores e não dos 
pacotes de minutos para se sustentar. No Brasil, a rede de divulgadores – 
como são chamados esse revendedores – tem cerca de 1 milhão de pessoas, 
segundo Wanzeler. A empresa nega irregularidaddes.
As investigações contra a Telexfree ganharam corpo no início do ano e, em 
março, a Secretaria de Acompanhamento Econômico (SAE) do Ministério da Fazenda 
divulgou uma nota em que classifica o negócio como “não sustentável”. A tia e o 
primo investiram na empresa em abril e em maio.
“As pessoas ficam seduzidas pelos ganhos daqueles que estão lá há mais tempo. Eles
[ os parentes de Wanzeler] não levaram em consideração [ as acusações contra a 
empresa ], ou não sabiam mesmo”, justifica Lucena.
Wilson Furtado Roberto, advogado da Telexfree, diz que o tio e a prima são 
parentes distantes de Wanzeler.
“Ele não mantém contato com a tia há mais de 26 anos, ou seja, quando foi residir
nos Estados Unidos”, afirmou o advogado. “Convém ser dito que ele nem sequer 
conhece o filho da sua tia.
Contas congeladas
Em 18 de junho, a Justiça aceitou a denúncia do MP-AC e determinou o bloqueio das
contas da Telexfree e dos sócios – incluindo Wanzeler –, além de impedir a entrada de 
novos divulgadores no negócio. Os advogados já tiveram negados nove recursos 
contra a decisão.
Desde então, o número de processos contra a empresa disparou. O iG mostrou que, até
o fim de julho, ao menos 176 ações haviam sido abertas por divulgadores que exigiam, 
além do dinheiro investido, os expressivos lucros prometidos e, em muitos 
casos, indenizações por danos morais.
As ações da tia e do primo de Wanzeler chegaram ao 2ª Juizado Especial de Cível de
Vila Velha no último dia 30 de julho, semana em que a enxurrada de 
questionamentos ganhhou mais corpo. São apenas dois dos quatro processos que 
Lucena, o advogado dos parentes de Wanzeler, está representando
“Já recebi consultas até de gente de Santa Catarina interessada em processar a 
Telexfree”, diz ele.
Fonte: www.ac24horas.com / Via Blog O Messiense

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