terça-feira, 24 de setembro de 2013

Terror ataca e mata 62 em shopping

Publicação: 24 de Setembro de 2013 às 00:00

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Nairóbi (AE)- O governo do Quênia anunciou na início da noite de ontem que todos os reféns mantidos por militantes do grupo radical somali Al-Shabab em um shopping de luxo em Nairóbi foram libertados. “Nossas forças estão checando andar por andar do shopping procurando alguém que tenha ficado para trás. Acreditamos que todos foram libertados”, afirmou o ministro do Interior, Joseph Ole Lenku, no twitter.  A Cruz Vermelha queniana revisou de 69 para 62 o número de mortos. Ao menos 63 pessoas continuam desaparecidas. Dez suspeitos de envolvimento com o atentado foram presos pela polícia queniana.
jonathan kalan/ap photo
Após explosões, nuvem de fumaça sai do Westgate Mall, indicando fim da operação militar contra grupo radical somali no Quênia
Após explosões, nuvem de fumaça sai do Westgate Mall, indicando fim da operação militar contra grupo radical somali no Quênia

Em novos confrontos ontem, as  forças de segurança afirmaram ter matado pelo menos três dos militantes do grupo radical somali Al-Shabab suspeitos do atentado contra o Westgate Mall. No domingo, segundo a polícia, a maior parte do shopping tinha sido liberada. Praticamente todos os reféns mantidos pelos militantes no fim de semana foram soltos, segundo as autoridades quenianas. O número exato de reféns, no entanto, permanecia desconhecido.

“A retirada dos reféns do prédio tem sido bem conduzida”, disse o ministro Ole Lenku. “Acreditamos que restam muito poucos reféns no prédio, isso se houver algum.” Pela manhã, quatro grandes explosões foram ouvidas do lado de fora do shopping. Pouco depois das detonações, dezenas de soldados, alguns deles com armas pesadas, foram vistos na rua que dá acesso ao shopping. Um tanque foi posicionado no local. Segundo a polícia, os militantes atearam fogo em uma loja para criar uma tática de dispersão e tentar fugir.

“Pedimos aos quenianos para manter a calma e informar sobre suspeitos à autoridade policial mais próxima”, escreveu a polícia queniana em sua conta no Twitter. Entre 10 e 15 militantes estavam no prédio.

Imagens divulgadas em meio à crise de reféns mostravam os extremistas entrando no prédio. Todos estavam armados com granadas, fuzis e pistolas e chegaram por duas portas diferentes. Os que invadiram o centro de compras pela entrada principal lançaram granadas ao chão e fuzilaram clientes de um café. Os que chegaram pelo estacionamento mataram um guarda antes de chegar aos andares superiores, onde uma rádio organizara uma festa.

Segundo testemunhas do ataque, os militantes obrigaram os clientes do shopping a citar uma oração islâmica. Quem não conseguia fazê-lo, era executado.

Por meio do Twitter, o Al-Shabab reivindicou a autoria e disse ter autorizado os radicais que permanecem no shopping a executar os reféns. “Autorizamos os mujahedin dentro do edifício a retaliar os prisioneiros”, afirmou o grupo. A tomada de reféns foi a pior ação extremista realizada no Quênia desde 1998, quando a Al-Qaeda, à qual o Al-Shabab é filiado, explodiu a embaixada americana em Nairóbi, matando 213.

Ao reivindicar a autoria do ataque, o grupo somali o atribuiu à presença militar queniana na Somália. Forças da União Africana combatem militantes islâmicos que se insurgiram contra o governo central em Mogadiscio.

Entre as vítimas mortas no ataque ao centro de compras, frequentado pela elite queniana e estrangeiros, estão australianos, peruanos, ganeses, holandeses, franceses, indianos, canadenses, suíços, britânicos e chineses. Cinco cidadãos norte-americanos ficaram feridos.

Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama, cujo pai tem raízes quenianas, condenou o atentado e ofereceu ajuda às autoridades do país. “Quero expressar minhas condolências pessoais ao presidente Uhuru Kenyatta, que perdeu parentes ao ataque, e a todos os quenianos. Somos todos solidários com eles”, disse Obama. “Oferecemos todo o apoio necessário.”

Já o presidente da Somália, Hassan Sheikh Mohamud, reiterou que “a ameaça representada pelo grupo extremista islâmico Al-Shabab é global”, e não apenas limitada a seu país. Ele fez o comentário durante discurso na Universidade Estadual de Ohio. Segundo ele, alguns dos participantes da ação são somalis que viviam nos EUA. 

Via Tribuna do Norte

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