Segundo a ANP, entre 28 de fevereiro e 7 de março, os preços médios na bomba subiram centavos enquanto as refinarias acumulavam altas de até R$ 1 por litro no diesel.
@semmordacarn_

Os números são modestos quando confrontados com o que saiu das refinarias no mesmo intervalo. Em 26 de fevereiro, a Brava Energia elevou o preço da Gasolina A em R$ 0,0750 por litro e o Diesel A S-500 em R$ 0,0350 — um reajuste que, considerando as proporções obrigatórias de mistura (70% para gasolina; 85% para diesel), implicava impacto misturado de R$ 0,0637 e R$ 0,0245 por litro, respectivamente. Na prática, a bomba subiu menos do que o esperado.
Em 10 de março, a Acelen elevou a Gasolina A em R$ 0,2173 por litro na Refinaria de Mataripe. Dois dias depois, em 12 de março, a Brava Energia aplicou o segundo reajuste do mês na Refinaria Clara Camarão — desta vez, de R$ 0,3000 na Gasolina A e de expressivos R$ 1,00 por litro no Diesel S-500. Na mesma data, a Acelen também anunciou novo aumento: R$ 0,2263 por litro na gasolina e R$ 0,8145 no diesel.
A sobreposição de dois reajustes simultâneos — Brava e Acelen, no mesmo dia 12 de março — representa uma pressão inédita no ciclo recente. Os impactos acumulados dos reajustes das refinarias para a gasolina comum podem superar R$ 0,35 por litro na bomba, e para o diesel, ultrapassar R$ 0,85 por litro, quando os distribuidores e revendedores processarem os novos preços. O próximo levantamento da ANP, referente à semana de 8 a 14 de março, deverá capturar essas elevações.
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A diferença entre o aumento nas refinarias e o repasse ao consumidor, verificada no levantamento de 1-7 de março, é parcialmente explicada pela dinâmica de estoques e contratos entre distribuidoras e postos revendedores. Na prática, o produto que estava na bomba naquela semana havia sido adquirido ainda nos preços anteriores ao reajuste de 26 de fevereiro — ou poucos dias depois. Esse intervalo cria uma janela em que os postos operam com o custo mais baixo, repassando o aumento ao consumidor de forma gradual, à medida que os estoques antigos se esgotam.
Esse comportamento, embora tecnicamente esperado, costuma ser invisível para o consumidor, que percebe apenas os aumentos nominais nos preços da bomba, sem a referência de quanto o insumo subiu na origem. No caso do RN, essa assimetria informacional é ampliada pela ausência da Petrobras: ao contrário de estados abastecidos pela estatal — que pratica uma política de preços com menor volatilidade de curto prazo —, o mercado potiguar é integralmente dependente de refinarias privadas cujos reajustes seguem cotações do mercado internacional.
O Rio Grande do Norte é, em sua maioria, abastecido pela Refinaria Clara Camarão, em Guamaré, operada pela Brava Energia — única refinaria localizada em território potiguar —, e pela Refinaria de Mataripe, no município baiano de São Francisco do Conde, operada pela Acelen. A ausência daPetrobras retira do mercado estadual o mecanismo de amortecimento que a estatal exerce em outras regiões, onde eventuais atrasos ou moderações nos reajustes funcionam como um colchão para distribuidores e consumidores finais.
A concentração em dois agentes privados — e a coincidência de seus reajustes na mesma data — reduz a margem de manobra dos distribuidores e revendedores para negociar condições ou atrasar repasses.
"Quando as duas refinarias sobem ao mesmo tempo, a pressão sobre a cadeia é imediata", resume a lógica operacional do setor.
Via Sem Mordaça RN


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