
Dois dos principais ministros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva comunicaram o desejo de deixar seus cargos ainda no início de 2026. Ricardo Lewandowski, da Justiça e Segurança Pública, e Fernando Haddad, da Fazenda, devem sair nas próximas semanas, movimento que acelera a reforma ministerial em meio à pré-campanha eleitoral.
Lewandowski deve sair ainda em janeiro
A saída de Ricardo Lewandowski, de 77 anos, é tratada como iminente. O ministro já informou ao presidente Lula que pretende deixar o comando da pasta ainda em janeiro. A decisão é atribuída principalmente ao cansaço pessoal, após uma longa trajetória institucional, e ao desgaste político enfrentado no ministério.
Pesaram também as dificuldades de articulação no Congresso e o fato de projetos considerados prioritários, como a PEC da Segurança Pública, não terem avançado. Outro fator decisivo foi a discussão interna no governo sobre a possível divisão do Ministério da Justiça, com a recriação do Ministério da Segurança Pública, o que reduziria o protagonismo da pasta.
Haddad planeja saída até fevereiro
Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem uma saída considerada planejada e estratégica. Ele deve deixar o cargo até fevereiro, dentro do prazo de desincompatibilização previsto na legislação eleitoral.
Nos bastidores, Haddad é visto como peça central no projeto político do PT para 2026. Ele poderá atuar diretamente na coordenação da campanha de reeleição de Lula ou disputar um cargo majoritário, como o Senado ou o governo de São Paulo. Apesar das críticas à política fiscal, Haddad mantém relação de confiança com o presidente.
Transição interna
Com as saídas, os secretários-executivos despontam como os nomes mais cotados para assumir interinamente.
Na Justiça, o favorito é Manoel Carlos de Almeida Neto, atual número dois da pasta.
Na Fazenda, o nome mais citado é o de Dario Durigan, secretário-executivo e braço-direito de Haddad.
Impacto político
A saída simultânea dos ministros da Justiça e da Fazenda reforça a percepção de que o Palácio do Planalto iniciou uma reorganização estratégica do governo para o último ano do mandato. As mudanças devem servir para fortalecer alianças, ajustar o discurso político e preparar o terreno para a disputa eleitoral de 2026.
Via Jornal Folha Regional
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